Como já sabemos, o tratamento da obesidade e do diabetes passou por uma transformação importante nos últimos anos, com os medicamentos conhecidos popularmente como canetas “emagrecedoras”, dentre eles a semaglutida e tirzepatida, que passaram a fazer parte da estratégia terapêutica de muitas pessoas que precisam perder peso e controlar alterações metabólicas.
Mas além da revolução no tratamento dessas doenças, uma pergunta importante deve ser feita: quando o peso diminui, o que exatamente está sendo perdido? A resposta não é apenas gordura…
Toda perda de peso pode envolver diferentes componentes do organismo, incluindo gordura, água e massa livre de gordura. Esta última engloba tecidos que não são gordura, entre eles o músculo.
É nesse contexto que a ingestão adequada de proteínas e os exercícios de força assumem um papel fundamental durante o tratamento da obesidade. Mais do que simplesmente reduzir o número na balança, é importante buscar uma perda de peso com qualidade, preservando a maior quantidade possível de massa muscular.
Perder peso é diferente de perder gordura!
Essa talvez seja uma das informações mais importantes para quem está utilizando esses medicamentos para emagrecer.
Imagine uma pessoa que perdeu 15 kg. A balança registra uma redução de 15 kg, mas esse número não informa quanto foi eliminado na forma de gordura, quanto correspondeu a água e quanto veio da massa livre de gordura. Por isso, peso corporal não é sinônimo de gordura corporal!
O objetivo de um tratamento bem conduzido não deve ser apenas fazer o número da balança diminuir. É desejável que uma parcela significativa dessa redução venha da gordura corporal, especialmente da gordura visceral, enquanto a massa muscular, a força e a funcionalidade sejam preservadas.
A perda de massa magra pode acontecer durante qualquer processo de emagrecimento e, fatores como alimentação, quantidade de proteína, exercício, idade, sexo e composição corporal inicial influenciam essa proporção. Portanto, uma perda de peso maior não significa necessariamente uma perda de peso melhor. A qualidade desse emagrecimento também importa!
Afinal, por que a proteína é tão importante durante o emagrecimento?
Durante o tratamento da obesidade, com medicamentos como semaglutida e tirzepatida, sabemos que eles reduzem o apetite e, consequentemente, a quantidade de alimentos consumidos. Por isso, durante o uso, é importante garantir que a alimentação continue fornecendo nutrientes essenciais, especialmente proteínas.
A proteína fornece aminoácidos necessários para a manutenção e reparação dos tecidos, incluindo os músculos. Como a perda de peso não envolve apenas gordura, mas também pode incluir massa livre de gordura, uma ingestão proteica adequada contribui para favorecer a preservação da massa muscular durante o processo.
Por isso, proteína não é importante apenas para quem deseja ganhar músculos. Durante o tratamento com as canetas “emagrecedoras”, ela também faz parte da estratégia para emagrecer preservando a massa muscular.
E os exercícios de força?
Os exercícios de força, como a musculação, oferecem ao músculo um estímulo que favorece sua manutenção durante o emagrecimento. Esse estímulo pode ser realizado com pesos, máquinas, elásticos ou até com o próprio peso corporal, de acordo com o planejamento de cada pessoa.
Durante o tratamento com esses medicamentos, esse cuidado é especialmente importante porque a redução da ingestão alimentar pode ser acompanhada de perda de massa livre de gordura.
O exercício de força ajuda a sinalizar ao organismo que a musculatura continua sendo necessária, contribuindo para sua preservação e para a manutenção da força e da capacidade funcional.
Por isso, medicamentos, alimentação adequada e exercícios de força devem caminhar juntos: o objetivo não é apenas perder peso, mas reduzir gordura preservando, tanto quanto possível, a massa muscular.
Comer mais proteína sozinho resolve?
Não. Esse é um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos.
A proteína fornece matéria-prima para o músculo, mas o estímulo mecânico do exercício de força é um dos principais sinais para que o organismo preserve e desenvolva tecido muscular. Por isso, simplesmente aumentar a quantidade de proteína na alimentação sem estimular a musculatura não representa uma estratégia completa.
É a combinação entre alimentação adequada + proteína suficiente + estímulo muscular + acompanhamento individualizado que faz a diferença!
Quais alimentos podem ajudar no consumo da proteína?
A proteína não precisa vir exclusivamente de carnes. Dependendo das necessidades e preferências individuais, podem fazer parte da alimentação:
- ovos;
- peixes;
- frango e outras carnes magras;
- leite e derivados;
- iogurte rico em proteínas;
- queijos;
- feijão;
- lentilha;
- grão-de-bico;
- ervilha;
- soja e derivados;
- outras fontes vegetais de proteína;
O ideal é que a alimentação continue diversificada. Isso é especialmente importante durante tratamentos que reduzem o apetite, como os feitos com as canetas, porque uma quantidade menor de comida torna ainda mais importante a densidade nutricional das refeições.
E o exercício de força, pode ser feito por quem nunca treinou?
Sim. Mas começar do zero não significa começar com cargas elevadas.
Para uma pessoa sedentária, o mais importante inicialmente pode ser aprender os movimentos, desenvolver consciência corporal, melhorar a técnica e construir regularidade. A progressão deve acontecer gradualmente.
Isso é particularmente importante para pessoas que perderam muito peso, estão há anos sedentárias, apresentam dores articulares ou possuem doenças crônicas. O exercício deve ser prescrito ou orientado considerando a condição clínica individual.
Existe uma frequência ideal de musculação durante o tratamento?
A frequência depende da condição individual, mas no geral, o recomendado é de duas a três vezes por semana, envolvendo os principais grupos musculares e com progressão adequada. Isso não significa que todo paciente precise necessariamente treinar três vezes por semana.
Uma pessoa que atualmente não pratica nenhuma atividade pode começar com uma frequência menor e evoluir. O mais importante é estabelecer uma rotina sustentável.
É importante lembrar que a melhor estratégia de exercício não é necessariamente a mais intensa, é aquela que o paciente consegue realizar com segurança e manter ao longo do tempo.
Emagrecer preservando força é parte do tratamento!
As chamadas canetas “emagrecedoras” representam uma ferramenta importante no tratamento moderno da obesidade, mas seu uso não deve ser encarado como uma solução isolada.
À medida que o apetite diminui e o peso corporal é reduzido, torna-se ainda mais importante garantir que o organismo receba nutrientes suficientes e continue recebendo estímulos para preservar a musculatura.
Proteína adequada e exercícios de força não são estratégias para “anular” o efeito do medicamento. São formas de tornar o processo de emagrecimento mais completo e metabolicamente favorável.
Porque o melhor resultado não é simplesmente ter um número menor na balança: é perder gordura enquanto preserva, na medida do possível, a estrutura muscular que sustenta força, metabolismo, mobilidade e qualidade de vida.
