Quando ouvimos falar em testosterona, é comum associarmos esse hormônio ao universo masculino. No entanto, o que pouca gente sabe é que a testosterona também é fundamental para a saúde da mulher, e desequilíbrios nos seus níveis podem gerar uma série de sintomas físicos e emocionais.
Neste artigo, vamos entender a função da testosterona no corpo feminino, os sinais de excesso e de deficiência, e a importância de manter esse hormônio em equilíbrio para o bem-estar e a qualidade de vida da mulher.
O que é a testosterona e qual sua função nas mulheres?
A testosterona é um hormônio androgênico, ou seja, um hormônio tipicamente relacionado às características sexuais masculinas. Nas mulheres, ela é produzida em menores quantidades pelos ovários e pelas glândulas adrenais (suprarrenais), mas exerce funções essenciais.
Mesmo em pequenas doses, ela influencia:
- O desejo sexual (libido)
- A disposição e energia
- O tônus muscular
- A densidade óssea
- A memória e cognição
- O humor e a sensação de bem-estar
Por isso, quando os níveis desse hormônio se encontram alterados (para mais ou para menos) a mulher pode apresentar sinais, muitas vezes confundidos com outras condições.
Sintomas da deficiência de testosterona nas mulheres
Com o passar dos anos, especialmente a partir dos 35-40 anos, é natural que os níveis de testosterona comecem a declinar. Esse processo se intensifica com a chegada da perimenopausa e da menopausa, quando há uma queda na produção hormonal geral.
Além disso, algumas mulheres jovens também podem apresentar baixos níveis de testosterona devido a fatores como uso de anticoncepcionais hormonais, disfunções ovarianas, insuficiência adrenal ou doenças autoimunes.
Os sintomas mais comuns da deficiência incluem
- Diminuição da libido (desejo sexual)
- Cansaço frequente e baixa energia
- Perda de massa muscular ou dificuldade para ganhar músculos
- Queda de cabelo
- Alterações de humor, como apatia ou irritabilidade
- Dificuldade de concentração e memória
- Perda de motivação e entusiasmo pela vida
É importante destacar que esses sintomas costumam ser sutis e evolutivos, o que faz com que muitas mulheres os atribuam ao estresse, ao envelhecimento ou à rotina intensa.
Sintomas do excesso de testosterona nas mulheres
Por outro lado, o excesso de testosterona também pode causar desconfortos e sintomas indesejados. Esse quadro pode acontecer de forma natural (como em mulheres com síndrome dos ovários policísticos), ou ser provocado por uso indevido de anabolizantes ou terapias hormonais mal indicadas.
Entre os principais sintomas do excesso, estão
- Aumento de pelos no rosto, seios, abdômen ou costas (hirsutismo)
- Acne e oleosidade excessiva na pele
- Queda de cabelo em padrão masculino
- Voz mais grave
- Aumento da massa muscular de forma acelerada
- Alterações no ciclo menstrual
- Agressividade ou irritabilidade aumentadas
O desequilíbrio pode impactar não apenas a autoestima e aparência, mas também a fertilidade e a saúde ginecológica da mulher.
A testosterona e sua relação com o desejo sexual
A testosterona atua no sistema nervoso central, influenciando áreas do cérebro ligadas ao prazer e à motivação sexual. A deficiência desse hormônio pode levar à perda de interesse por relações sexuais, dificuldade de excitação e até anorgasmia.
Vale lembrar que a libido é multifatorial, e fatores emocionais, relacionais e culturais também devem ser considerados. Mas o papel hormonal, especialmente da testosterona, é inegável.
Como diagnosticar alterações nos níveis de testosterona?
Através de exames laboratoriais, o endocrinologista pode avaliar os níveis de testosterona total, testosterona livre (a fração ativa), além de outros marcadores hormonais, como Sulfato de DHEA, estradiol, SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) e hormônios da tireoide.
É importante ressaltar que os valores de referência não necessariamente refletem o que é ideal para cada paciente, por isso o médico deve avaliar seu caso específico.
Quando a reposição de testosterona é indicada?
A reposição é indicada quando a paciente tem sintomas de disfunção do desenho sexual. No que diz respeito à aplicação da testosterona, ela é realizada exclusivamente por géis manipulados, sob prescrição médica.
É importante frisar que a testosterona não deve ser utilizada para fins estéticos ou de ganho muscular sem necessidade clínica pois o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais sérios e até irreversíveis.
Como manter a testosterona equilibrada de forma natural?
Algumas atitudes podem contribuir para a manutenção de níveis saudáveis de testosterona:
- Alimentação rica em gorduras boas, como azeite de oliva, abacate, nozes e peixes gordurosos
- Exercícios físicos regulares, especialmente musculação
- Sono de qualidade
- Controle do estresse crônico, que compromete a produção hormonal
- Evitar o consumo excessivo de álcool e o tabagismo
- Reduzir o uso contínuo de anticoncepcionais hormonais, quando possível, e com orientação médica
Esses fatores contribuem não apenas para a regulação hormonal, mas para a saúde global da mulher.
Como estão seus níveis de testosterona?
Desequilíbrios nos seus níveis de testosterona podem afetar desde a libido até o bem-estar emocional, a composição corporal e a disposição da mulher.
Por isso, dê atenção a esse hormônio nas consultas ginecológicas e endocrinológicas, especialmente em fases de maior oscilação hormonal como a perimenopausa.
